Dicas

CIRURGIA PLÁSTICA PERIODONTAL

O que são as cirurgias plásticas periodontais?

São cirurgias que visam corrigir defeitos gengivais e de tecidos moles em regiões que apresentam algum tipo de comprometimento estético. Os defeitos que mais incomodam os pacientes são retrações gengivais, alterações de papilas interdentais, perdas de altura e espessura em áreas que foram submetidas a extrações e tecidos moles insatisfatórios ao redor dos implantes.

Quando são indicadas e quais os requisitos para poder submeter-se a uma cirurgia plástica?

A indicação principal se dá quando o defeito altera a harmonia do sorriso do paciente (Figura 1). Como requisito obrigatório, exige-se saúde bucal. Doenças periodontais, cáries, problemas endodônticos, entre outros, devem ser tratados antes de qualquer cirurgia estética.

Por que são necessários enxertos gengivais para recobrir raízes?

A razão principal é estética, especialmente quando o paciente mostra a raiz ao sorrir ou ao falar (Figura 2). O enxerto também pode ser indicado em raízes que apresentam sensibilidade às variações de temperatura.

De onde são retirados os enxertos?

As técnicas que apresentam melhores resultados estéticos são aquelas que utilizam enxertos retirados do palato, chamados de enxertos subepiteliais, pois utiliza-se apenas uma delicada camada de tecido que fica embaixo do epitélio.

Por que é necessário aumentar os rebordos que sofreram extrações?

É comum, após as exodontias (extrações dentárias), haver uma reabsorção óssea e gengival na área ocupada pela raiz, gerando um defeito na anatomia do rebordo. Quando há necessidade de recuperar os tecidos reabsorvidos, utilizam-se enxertos que ajudam a dar um caráter mais natural à prótese que irá recuperar a área desdentada.

E quanto à dor pós-operatória e ao tempo de recuperação?

As técnicas mais recentes, além de oferecerem ótimos resultados estéticos, proporcionam um pós-operatório com pouquíssimo desconforto ao paciente. Normalmente, o paciente já pode trabalhar no dia seguinte à cirurgia, desde que evite esforços físicos e evite traumatizar a região operada.

Figura 1 – Reconstrução da papila interdental entre os incisivos centrais (A: antes; B: depois).

Figura 2 – Recobrimento da superfície radicular através de enxerto gengival nos dentes: incisivo central, incisivo lateral e canino esquerdos (A: antes; B: depois).

CIRURGIA ORTOGNÁTICA

CIRURGIA ORTOGNÁTICA O que é a Cirurgia Ortognática?

A cirurgia ortognática é realizada para correção de desarmonias faciais. Nesses casos, os maxilares (maxila e mandíbula) não se encontram posicionados corretamente, resultado de um crescimento desordenado dos ossos da face, de um posicionamento incorreto dos dentes ou de algum trauma, gerando alterações na mastigação, respiração e fala. O desequilíbrio na face gera problemas funcionais e insatisfação pessoal. Os pacientes podem apresentar alterações no sorriso, na oclusão (encaixe dos dentes), dores cervicais e perdas dentárias. A cirurgia corretiva capaz de reposicionar os dentes e ossos da face adequadamente e criar uma aparência mais equilibrada e satisfatória é a cirurgia ortognática.

Como a Cirurgia Ortognática é realizada e onde pode ser feita?

A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral, sendo necessária a realização de exames pré-operatórios e avaliação cardiológica e de outras especialidades médicas, se necessário. O paciente passará por um anestesista para esclarecimentos a respeito da anestesia geral. Durante a cirurgia, realiza- se o devido reposicionamento dos ossos da face, que são imobilizados com placas e parafusos de titânio, permitindo ao paciente sair de boca aberta do procedimento. Em apenas algumas horas realizamos a correção do problema facial e da mastigação. A cirurgia é totalmente realizada por dentro da boca, sem a existência de cicatrizes na pele. Programa-se toda a cirurgia com antecedência, o paciente recebe um preparo nutricional, psicológico e físico e a cirurgia é agendada para a melhor época, tanto para o paciente como para o ortodontista e o cirurgião.

Realiza-se algum preparo para essa mudança?

É fundamental, para um bom resultado cirúrgico, a realização de um planejamento por parte do ortodontista e do cirurgião. Esses profissionais realizarão uma detalhada avaliação das condições funcionais dos dentes e maxilares, a fim de estabelecerem o plano de tratamento. Dessa forma, será estabelecido todo o preparo ortodôntico antes da cirurgia para correção do posicionamento dos dentes dentro de suas bases ósseas, para que a cirurgia posicione adequadamente as bases ós-seas entre si. O preparo ortodôntico requer tempo e paciência, em média de um a dois anos antes da cirurgia. A mordida nesta fase tende a piorar, mas isso é temporário e importante para o sucesso da correção cirúrgica meses depois.

Como é o pós-operatório?

Geralmente o paciente permanece hospitalizado cerca de um a dois dias, quando então continua sua recuperação em casa. Inicialmente, apresentará inchaço na face, dificuldades para falar e realizar atividades. A dor não é freqüente, pois a região operada fica adormecida por alguns meses. A dieta deve ser líquida por dez dias, passando para pastosa até a devida orientação do cirurgião. A fisioterapia é iniciada nas primeiras 24 h após a cirurgia, para drenagem do edema facial e retorno mais rápido das funções mandibulares. O paciente retornará ao cirurgião muitas vezes nos primeiros três meses após a cirurgia, para o devido acompanhamento de sua recuperação. Após duas ou três semanas, geralmente o paciente está apto a retornar a muitas atividades. A recuperação é gradativa, necessitando da compreensão de todos para a mudança ocorrida e o sucesso do procedimento executado.

Quanto tempo depois da cirurgia o tratamento é finalizado?

O paciente retorna ao ortodontista para a finalização ortodôntica cerca de seis semanas após a cirurgia, a fim de realizar o refinamento do posicionamento final dos dentes. Esse processo é variável, durando em média de seis meses a um ano. Após a remoção do aparelho ortodôntico, o paciente permanece com aparelho de contenção por no mínimo um ano e nesta fase pode considerar alguns procedimentos cosméticos para deixar o sorriso ainda mais bonito, tais como clareamento dental, cirurgias gengivais e diversos recursos odontológicos e médicos, a fim de proporcionar a completa satisfação do paciente.

CHUPETA E A ODONTOLOGIA

COMO DESINFETAR CHUPETAS

As chupetas apresentam-se contaminadas por microrganismos?

O uso da chupeta pode apresentar efeitos negativos sobre a dentição, a fala e, possivelmente, contribuir para o desmame precoce. Entretanto, os pesquisadores têm se preocupado apenas com os efeitos da sucção não-nutritiva, particularmente em relação ao complexo orofacial e à satisfação psicoemocional da criança, sendo poucos os estudos direcionados à avaliação da contaminação microbiana das chupetas. Pesquisas sugerem que a utilização da chupeta se constitui em um meio efetivo para o transporte dos inúmeros microrganismos, patogênicos ou não, existentes na cavidade oral, os quais podem ocasionar o desenvolvimento de otite média, candidose, lesões de cárie, diarréia e parasitoses intestinais por contaminação fecal, entre outros. Até o momento, o microrganismo mais estudado como contaminante das chupetas é a Candida albicans, por ser o agente etiológico da candidíase, uma doença infecciosa comum na infância. No entanto, sabe-se que outros microrganismos como lactobacilos e estreptococos do grupo mutans também podem colonizar o látex ou o silicone do bico das chupetas (Figura 1). Apesar disso, as chupetas, na maior parte das vezes, não são desinfectadas após sua utilização, sendo apenas enxaguadas e secas.

Qual a importância da desinfecção das chupetas?

A utilização de agentes químicos ou físicos para a desinfecção das chupetas faz-se necessária para evitar que esses objetos de uso pessoal e rotineiro em idades precoces se tornem veículos para a transmissão ou reinoculação de microrganismos em crianças. As embalagens das chupetas em geral contêm as seguintes instruções: ferver a chupeta antes de usar e guardar em local seco e fechado; não colocar laços ou fitas para prender a chupeta no pescoço, devido ao risco de estrangulamento; examinar a chupeta regularmente, jogando-a fora quando estiver danificada; e não mergulhar a chupeta em substâncias doces, para prevenção do desenvolvimento de lesões de cárie. Ao nosso ver, um protocolo eficaz para a desinfecção, de fácil execução, deveria também ser incluído nas instruções das embalagens, a fim de instruir os responsáveis sobre a utilização das chupetas por seus filhos.

Como deve ser efetuada a desinfecção das chupetas após sua utilização?

As chupetas devem ser desinfetadas antes da primeira utilização e, pelo menos 1 vez ao dia, após o seu uso. Para esse procedimento, a opção mais prática e eficaz é lavar a chupeta após o uso, remover o excesso de água e borrifar um antimicrobiano, o gluconato de clorexidina a 0,12%, acondicionado em um frasco spray (adquirido em farmácias de manipulação), em toda a superfície do látex ou silicone do bico. Em seguida, a chupeta pode ser guardada no local de costume. Antes que a criança utilize novamente a chupeta, essa deverá ser lavada em água corrente. Como alternativa, sugerimos aos pais ou responsáveis submeter as chupetas, diariamente, à fervura em água por 15 minutos.

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FONTE: APCD

CÂNCER BUCAL

CÂNCER BUCAL

O câncer bucal é comum?

Sim, a incidência mundial de câncer bucal varia de país para país (2% a 8%). Canadá, Austrália e França têm taxas elevadas. A Índia é o país de mais alta incidência (48% a 70%) devido a práticas culturais exóticas, como o hábito de colocar o cigarro com a ponta acessa voltada para o interior da boca e o uso do betel. No Brasil, as taxas são elevadas, sendo o câncer bucal o 6º tipo mais comum entre os homens e o 8º entre as mulheres (INCA – Instituto Nacional do Câncer, Ministério da Saúde, Brasil).

Quais são os fatores de risco para o câncer bucal?

Os principais fatores de risco são: uso do tabaco, consumo freqüente de bebidas alcoólicas e exposição excessiva à radiação solar. Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento do câncer bucal, como: má higiene bucal; dentes quebrados; próteses removíveis parciais ou totais mal adaptadas, com conseqüentes irritantes locais; dieta pobre em vitaminas A, C, E e o vírus HPV (papilomavírus humano). Outros fatores ainda estão sendo estudados para se verificar sua relação com o câncer bucal, como: o uso de chimarrão, o consumo de carne grelhada (churrasco) e a fumaça do fogão de lenha.

Se diagnosticado precocemente, quais as chances de cura do câncer bucal?

Quanto mais cedo for descoberto e adequadamente tratado, maior será a chance de cura e sobrevida do paciente. A expectativa de cura varia de 85% a 100% quando o câncer é diagnosticado e tratado na fase inicial.

Como proceder ao auto-exame da boca?

Diante de um espelho, após retirar próteses ou outros aparelhos removíveis:

1) veja se em seu rosto há algum sinal que você não notou antes;

2) observe no lábio se há manchas ou feridas;

3) puxe o lábio de baixo e examine-o por dentro; faça o mesmo com o lábio de cima;

4) abra a boca e estique a bochecha; faça isso dos dois lados;

5) ponha a língua para fora e observe sua parte de cima;

6) puxe a ponta da língua para o lado direito e depois para o lado esquerdo e observe as laterais da língua;

7) coloque a ponta da língua no céu da boca e examine a parte de baixo da língua e o soalho da boca;

8) incline a cabeça para trás e examine o céu da boca;

9) ponha a língua pra fora, diga “A, A, A,…” e observe a garganta.

Quais os sinais indicativos de alguma “anormalidade” na boca?

Feridas que não cicatrizam em 2 semanas; manchas brancas, vermelhas ou negras; carnes crescidas; caroços; bolinhas duras e inchaço na boca; dificuldade para movimentar a língua; sensação de dormência na língua; dificuldade para engolir. A presença de qualquer um desses sinais merece um exame mais detalhado, com encaminhamento do paciente ao cirurgião-dentista estomatologista.

Qual a freqüência recomendada para a realização do auto-exame da boca?

Para pessoas não-fumantes, recomenda-se fazer o auto-exame bucal a cada 6 meses e, para os fumantes, a cada 3 meses. O ideal é fazer 1 vez por mês para que qualquer alteração da normalidade da boca seja prontamente detectada.

Qual profissional deve ser procurado caso o paciente encontre alguma lesão na boca?

O cirurgião-dentista estomatologista é quem diagnostica e trata todas as lesões e doenças bucais. No caso de câncer bucal, após diagnóstico, o paciente é encaminhado para tratamento em centros especializados em Oncologia ou para o médico oncologista.

Prevenção do Câncer Bucal

O câncer de boca ocupa uma posição de destaque entre os tumores malignos do organismo devido a sua relativa incidência e mortalidade. A prevenção e o diagnóstico precoce podem ser realizados pelo cirurgião- dentista através dos seguintes procedimentos: correto exame clínico; afastamento dos fatores co- carcinógenos; diagnóstico e tratamento das lesões cancerizáveis; exames complementares (principalmente biópsia e citologia exfoliativa) e orientação e estimulação ao auto-exame.

O que são e quais são os fatores co-carcinógenos?

São fatores que predispõem o paciente a desenvolver um tumor maligno; na boca, podemos citar principalmente o etilismo (álcool) e o tabagismo (cigarro, cachimbo etc.), as condições precárias de higiene (dentes quebrados, raízes residuais, tártaro etc.) e as próteses inadequadas ou em más condições (dentaduras e pontes fraturadas ou que causam algum ferimento).

O que são lesões cancerizáveis?

São enfermidades bucais que, quando não tratadas, podem evoluir para um câncer.

O que causa o câncer oral?

A etiologia é desconhecida, porém, alguns fatores são relacionados ao aparecimento dessas lesões. Os principais são: tabagismo, etilismo, traumatismos mecânicos e, nos cânceres de lábio inferior, também pode- se citar os raios solares.

Como o cigarro atua?

Durante o ato de fumar, são liberadas inúmeras substâncias químicas junto à fumaça, algumas reconhecidamente cancerígenas. Outra ação seria o calor produzido principalmente pelo cachimbo.

Como se faz o auto-exame e o que procurar?

Diante do espelho, com uma boa iluminação, deve-se inspecionar e palpar todas as estruturas bucais e do pescoço. Durante o auto-exame, os principais indícios a serem observados são: feridas que permanecem na boca por mais de 15 dias, caroços (principalmente no pescoço e embaixo do queixo), súbita mobilidade dental, sangramento, halitose, endurecimento e ou perda de mobilidade da língua. É importante frisar que a dor pode ser um sinal de lesão avançada.

Qual o perfil do paciente com câncer bucal e qual a região mais atingida?

Geralmente são homens (86,07%), com idade entre 45 e 55anos, brancos (84,84%) e tabagistas (95,08%). A região da boca mais atingida é a língua, seguida do assoalho bucal e lábio inferior.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é simples. Após o exame clínico, o profissional, suspeitando de um tumor maligno, realiza uma biópsia, que consiste na remoção de um pequeno fragmento da lesão para posterior exame microscópico.

Como é feito o tratamento?

O tratamento pode ser realizado através de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, podendo ser associados ou não.

Existe cura para o câncer?

Sim, e quanto mais cedo for diagnosticado (diagnóstico precoce), maiores são as chances de cura, sendo as seqüelas menores e, portanto, maior a qualidade de vida.

Fonte: APCD

BULEMIA, ANOREXIA E A ODONTOLOGIA

BULEMIA, ANOREXIA E A ODONTOLOGIA

Transtornos alimentares, como bulimia e anorexia, provocam diversas lesões bucais. A observação delas pelo Cirurgião Dentista (CD) é essencial para o diagnóstico precoce do problema.

CD Rosana Ximenes

Aumento de cárie, erosão dental, projeção das restaurações (“ilhas” de amálgama), bruxismo, hipersensibilidade dentinária, mucosites, queilites, gengivites. Estas são algumas das alterações bucais que os transtornos alimentares, como bulimia nervosa, anorexia nervosa e o comer compulsivo podem provocar. Apesar de alguns deles serem problemas odontológicos comuns, que geralmente requerem tratamentos simples, o profissional deve estar atento para o que pode estar por trás deles, abordando o paciente e sua saúde de forma integral e sistêmica.

Para que se entenda o desenvolvimento das afecções do sistema estomatognático decorrentes dos transtornos alimentares, Maria Carméli Correia Sampaio, doutora em Estomatologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), chama a atenção para a necessidade de compreender que esse sistema se compõe de duas partes: uma dura, representada por elementos dentários e ossos, com especial importância para a articulação temporomandibular, e uma mole, composta por músculos, vasos, nervos e espaços vazios. Ela salienta que estas estruturas estão em constante atividade, modificando-se frequentemente durante toda a vida, sendo facilmente afetadas pelos distúrbios alimentares, que podem interferir nas estruturas bucais com manifestações clínicas bastante genéricas ou específicas. Não é de hoje que a cirurgiã-dentista Rosana Ximenes sabe bem da relação existente entre Odontologia e transtornos alimentares. Há seis anos ela estuda o assunto, que foi tema de sua especialização e mestrado em Odontopediatria, realizado na Faculdade de Odontologia de Pernambuco, e também do doutorado em andamento na área de Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Segundo Rosana, as manifestações bucais são, muitas vezes, os sintomas mais facilmente detectados nos portadores de transtornos alimentares, porque eles tendem a esconder a doença de amigos e familiares e estes sintomas são evidentes para o cirurgião-dentista. “Pela possibilidade de identificar estas alterações num simples exame clínico rotineiro, o profissional de Odontologia tem um papel importante no diagnóstico clínico da doença.”

Além disso, se as lesões odontológicas forem tratadas, mas suas verdadeiras causas não, o paciente ainda vai estar doente e as alterações bucais continuarão provocando prejuízos à saúde bucal, muitas vezes, irreversíveis, como o escurecimento dos dentes pela erosão dentária e alterações causadas pelo bruxismo. “Não adianta pensar apenas na parte odontológica e esquecer o problema geral do paciente. É preciso encaminhá-lo para o tratamento, pois os transtornos alimentares possuem alta taxa de mortalidade e o prognóstico nem sempre é favorável”, observa a CD.

Os sinais que a boca dá

Diferentes mecanismos desencadeados pelos transtornos provocam problemas odontológicos e acabam alterando e prejudicando o sistema estomatognático como um todo. Os portadores de bulimia nervosa, caracterizada pela ingestão compulsiva de alimentos seguida de indução ao vômito, geralmente desenvolvem erosão dental, principalmente nas faces palatinas dos dentes anteriores, provocada pelo consumo de substâncias ácidas, orgânicas ou inorgânicas, e pela regurgitação do suco gástrico. Tal fato elevaria a taxa de erosão em 31 vezes a mais que nos indivíduos normais. Nestes pacientes também podem ocorrer “ilhas” de amálgama, produzidas pela deterioração do esmalte adjacente à restauração. Segundo a odontopediatra Rosana, em casos graves, as bordas incisais dos dentes são prejudicadas, produzindo coroas clínicas curtas e aparência de pseudomordida aberta.

Os transtornos alimentares provocam, ainda, aumento na ocorrência de cáries, causada pela maior ingestão de carboidratos pelo paciente que sofre de comer compulsivo ou durante o período da hiperfagia – quando o bulímico ingere grande quantidade de alimento – e pela diminuição do pH salivar devido ao vômito. O portador de transtornos alimentares tende a descuidar da higiene oral. Também pode ocorrer o intumescimento das glândulas salivares e edemas nessas áreas. A etiologia desse processo ainda não é bem conhecida, mas acredita-se que está relacionada à grande ingestão de carboidratos, à má nutrição, à regurgitação dos ácidos gástricos e à alcalose metabólica, que é o excesso de base (ou falta de ácido) no sangue e é causada pela perda de ácido pela urina, fezes ou vômito, ou pela transferência de íons H+ para as células.

A acidez do conteúdo gástrico regurgitado ainda ocasiona hipersensibilidade dentinária, piorada pela escovação vigorosa em seguida aos episódios de regurgitação; mucosites, também associadas ao trauma causado pela rápida ingestão de comida e pelo ato do vômito, e queilite. Esta última é favorecida pela má nutrição e deficiências vitamínicas, que provocam a diminuição no fluxo salivar, gengivite e outras alterações na gengiva e no periodonto.

Conseqüências generalizadas

CD Maria Carméli Correia Sampaio

A estomatologista Maria Carméli aponta que a xerostomia deixa a mucosa susceptível a infecções fúngicas e a modificações de textura e de coloração. Ressalta ainda as hipovitaminoses como responsáveis por sangramentos da mucosa, hálito fétido, úlceras, lesões tipo liquenóides, glossites (mudança de cor e despapilação da mucosa), síndrome do ardor bucal, retardo na erupção dos elementos dentários e no desenvolvimento da mandíbula, má-oclusão, entre outros. A especialista afirma que a carência de elementos macrominerais e microminerais pode comprometer as estruturas e os tecidos presentes na formação de elementos dentários. As deficiên- cias férricas causam problemas graves, inclusive incidência de neoplasias malignas, como câncer bucal, glossite com presença de dor, ardor e atrofia das papilas e disfagia.

Um fator levantado pela odontopediatra Rosana é que a gravidade da doença periodontal também sofre influência de distúrbios psiquiátricos e de estados de ansiedade. Além disso, o estresse e as mudanças oclusais por quais passa os portadores de transtornos alimentares fazem com que eles desenvolvam o bruxismo. Estes pacientes acabam tendo descontroles hormonais e tomando anti-depressivos, o que desregula o fluxo salivar. A pesquisadora aponta outro detalhe que pode aparecer em pessoas com bulimia e a que os cirurgiões-dentistas devem ficar atentos: uma lesão no dorso da mão, como uma calosidade e pode evoluir para uma ulceração, conhecida como sinal de Russell, que surge pelo ato de provocar o vômito com os dedos.

A composição dos alimentos, bem como a sua consistência, desempenha papel fundamental nas afecções bucais e, no caso, afeta especialmente quem sofre de obesidade mórbida. Segundo a estomatologista Carméli Sampaio, conservantes, componentes químicos de sucos, refrigerantes e bebidas alcoólicas, entre outros, fazem parte do dia-a-dia alimentar do mundo moderno e, segundo os especialistas, são responsáveis por importantes mudanças estruturais na cavidade bucal e estruturas anexas. Podem acarretar o aparecimento de cárie pelo excessivo consumo de açúcares seguido de higiene deficiente, ingestão indiscriminada de alimentos e líquidos que trazem alterações na mucosa bucal ou no periodonto, e ocasionando perda precoce de elementos dentários. Ela chama a atenção para os distúrbios endócrinos, metabólicos e gástricos, a que os transtornos alimentares conduzem. Como exemplo, cita o diabetes, o hipotireoidismo, as doenças auto- imunes, os distúrbios psicossomáticos, as hepatites e outras patologias de etiologias diversas, como as anemias e as hipo- vitaminoses, entre outras.

No caso do cirurgião-dentista suspeitar que seu paciente sofra de anorexia por apresentar baixo peso, a odontopediatra Rosana alerta que essa característica sozinha não deve ser considerada um sintoma da doença, principalmente em se tratando de adolescentes, época em que ocorre o estirão de crescimento e eles apresentam físico bem magro. “O baixo peso precisa estar associado ao medo mórbido de engordar. A freqüência e a constância com que ocorrem os transtornos são relevantes, além de outros sintomas,” diz. Já Maria Carméli pontua que “as reações ou manifestações bucais na realidade são múltiplas e de variados aspectos e etiologias”. Ela sugere que os transtornos alimentares de comportamento, metabólicos, nutricionais e psicos-somáticos, entre outros, devam ser vistos de forma multidisciplinar.

Processo científico

Processo inicial de erosão dental Nas pesquisas que desenvolveu e ainda desenvolve sobre as interações entre transtornos alimentares e Odontologia, a cirurgiã-dentista Rosana Ximenes vem avaliando a ocorrência de sintomas da doença entre jovens e a freqüência das lesões bucais entre os que têm indicativos de anorexia e bulimia. No mestrado, realizado na Faculdade de Odontologia de Pernambuco, participaram do estudo 1.217 jovens de escolas públicas e particulares de Recife e foi verificada uma prevalência de 17,4% de adolescentes com sintomas da doença. Não houve diferença significante entre os estudantes dos ensinos público e privado e entre o grau de escolaridade dos pais.

Mas em relação ao sexo, a prevalência foi maior entre as meninas. Para dar continuidade e aprofundar o estudo, o projeto de doutorado, ainda em desenvolvimento, está trabalhando com jovens de 12 a 16 anos que demonstraram ter sintomas dos transtornos, para avaliar os problemas bucais e as características depressivas e, a partir daí, desenvolver estratégias de prevenção e tratamento. Nas avaliações realizadas, os adolescentes identificados com sintomas foram encaminhados para tratamento multidisciplinar, com acompanhamento psiquiátrico, psicológico, nutricional, com médicos hebiatras e outros profissionais necessários. “Se identificarmos precocemente a doença, através da observação dos sintomas e sinais clínicos, o paciente pode nem vir a desenvolvê-la”, avalia Rosana.

Além do exame odontológico clínico, as pesquisas lançam mão de questionários de auto-aplicação específicos para identificar se o adolescente apresenta ou não sintomas dos transtornos. O Teste de Atitudes Alimentares (EAT-26), versão brasileira do Eating Attitudes Test, mede comportamentos alimentares restritivos, como dieta e jejum, e relacionados à bulimia e anorexia. O EAT-26 não dá o diagnóstico, mas identifica pessoas com preocupações anormais com alimentação e peso.

No doutorado, Rosana também está aplicando o Teste de Investigação Bulímica de Edinburgh (BITE), tradução do Bulimic Investigatory Test, Edinburgh, para ter mais precisão nos resultados. Ele foi desenvolvido para identificar indivíduos com compulsão alimentar e avaliar os aspectos cognitivos e comportamentais relacionados à bulimia. Por fim, também utiliza o Questionário de Auto-avaliação da Escala de Hamilton para Depressão (QAEH-D), para identificação de sintomas depressivos. A pesquisadora e seus orientadores, Everton Botelho Sougey e Geraldo Bosco Lindoso Couto, ainda estão desenvolvendo questionário específico de identificação de lesões odontológicas.

Parte deste projeto foi desenvolvido no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), para que Rosana pudesse acompanhar o tratamento de jovens com diagnóstico de transtornos de alimentação já confirmado, pois no Nordeste não há um centro que trate especificamente esses pacientes.

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Resolução histórica

A Organização Mundial de Saúde (OMS) coloca, agora, a saúde bucal e a Odontologia como parte de sua política de saúde integral do ser humano. Resolução neste sentido foi proposta pela Federação Dentária Internacional (FDI), trabalhando articuladamente com suas associações membros, entre elas a ABO Nacional, e aprovada pela OMS em sua última assembléia, realizada em Genebra, neste mês.

No dia-a-dia da clínica

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Impactos na Saúde Bucal

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Sob o domínio da aparência

Os transtornos alimentares são complexas e sérias alterações que requerem ação conjunta de diversas áreas da saúde e amplo debate na socidade

Galeria

Fonte: ABO – Associação Brasileira de Odontologia.

BOCA SECA

BOCA SECA

O que eu preciso saber sobre boca seca?

A boca seca – conhecida, na área da saúde, como xerostomia – é causada pela diminuição na produção de saliva. Acomete, com intensidade e duração variáveis, um grande número de pessoas e suas causas podem variar consideravelmente. São exemplos de causas:

A idade avançada (com o passar da idade, as glândulas salivares vão se atrofiando).

O efeito colateral de certos medicamentos, tais como anti-hipertensivos, antidepressivos, tranqüilizantes, anti-histamínicos e anticolinérgicos.

Hábitos e vícios, como o alcoolismo e a ingestão de alimentos ricos em cafeína.

A Síndrome de Sjögren, na qual o organismo da própria pessoa reage contra as glândulas salivares.

A diabete mellitus, na qual a boca seca é um achado freqüente.

Cânceres na região de cabeça e pescoço (as pessoas que são tratadas com radioterapia podem ter suas glândulas afetadas permanentemente pela radiação).

Problemas psiquiátricos (certas psicoses e estados de ansiedade podem causar falta de saliva).

Doenças congênitas: existem pessoas que nascem sem as glândulas salivares (agenesia congênita).

Por que a saliva é tão importante?

A saliva tem papel importante na formação do bolo alimentar, favorecendo a digestão e deglutição; proporciona uma lavagem físico-mecânica, facilitando uma melhor movimentação da língua e demais músculos; atua na proteção da mucosa da boca; controla a microbiota bucal; estabelece e mantém o pH do meio, atuando no processo da cárie dental.

O que é exatamente a saliva?

A saliva apresenta um pH neutro e é composta por 99% de água. A outra parte é constituída por proteínas, como enzimas, imunoglobulinas responsáveis pelos anticorpos salivares, além de outros compostos, como bicarbonato, sódio, potássio, cálcio, cloreto e flúor.

O que a boca seca pode causar?

Cáries, candidíase (doença fúngica), doenças gengivais e infecções nas glândulas salivares.

Quais são os sintomas?

Em função da falta de saliva, o indivíduo pode ter mau hálito, dificuldades para falar e engolir, intolerância a próteses, dor na língua, perda do paladar e alteração de voz.

Qual o tratamento indicado?

O primeiro passo para o tratamento é o diagnóstico correto: o paciente que perceber os sinais e sintomas associados à boca seca deve procurar o cirurgião-dentista. Os tratamentos variam em função da causa: se a xerostomia tiver origem medicamentosa, o cirugião-dentista deverá entrar em contato com o médico do paciente para estudarem a possibilidade de substituição do medicamento por outro que não afete a produção de saliva.

Nos casos de perda irreversível da produção de saliva (radiação, Síndrome de Sjögren, idade avançada, agenesia congênita), existe a possibilidade de minimizar o problema com uso de saliva artificial manipulada ou comercial, gomas de mascar sem açúcar e medicamentos que estimulem a salivação, além da orientação quanto à dieta com proteínas e vitaminas.

O paciente com xerostomia, independentemente da causa, deverá ser acompanhado pelo profissional em intervalos menores para orientação de higiene oral constante, aplicação de flúor e tratamento gengival básico. O paciente deverá manter-se sempre bem hidratado, ingerindo água ou outra bebida sem açúcar e evitando o consumo de bebidas com álcool ou cafeína.

Se os lábios estiverem secos, pode ser indicado o uso de lubrificantes à base de vaselina. Durante as refeições, devem-se preferir alimentos moles, úmidos e pouco condimentados. Nos casos onde exista também infecções fúngicas, o profissional poderá indicar bochechos com antifúngicos.

Fonte: APCD

BEBÊS E A ODONTOLOGIA

CUIDADOS COM A HIGIENE BUCAL DO BEBÊ

Quais os benefícios do aleitamento materno à saúde bucal do bebê?

Além das indiscutíveis propriedades físicas, nutricionais e psicológicas do leite materno, a amamentação é importante para a saúde bucal do bebê. Mamando no peito, o bebê respira pelo nariz e é obrigado a morder, avançar e retrair a mandíbula. Isso propicia o correto desenvolvimento muscular e esquelético da face, possibilitando a obtenção de uma boa oclusão dentária.

Como devo fazer a higiene bucal do bebê?

Os cuidados com a higiene bucal devem começar a partir do nascimento do bebê. No recém-nascido, a limpeza deve ser feita com uma gaze ou fralda umedecida em água limpa para remover os resíduos de leite. Com o nascimento dos primeiros dentes (por volta dos 6 meses), a fralda deve ser substituída por uma dedeira. Aos 18 meses, com o nascimento dos primeiros molares decíduos, a higiene deverá ser realizada com uma escova dental infantil sem creme dental ou com um creme dental sem flúor. O creme dental fluoretado só deverá ser utilizado a partir dos 2 ou 3 anos de idade, quando a criança souber cuspir completamente o seu excesso.

Quando devo fazer a primeira visita ao dentista?

O ideal é que a mãe faça uma consulta durante a gestação para receber as orientações necessárias para manter a correta saúde bucal do seu filho. Independentemente da consulta da gestação ter sido realizada, a primeira consulta do bebê deve ser por volta dos 6 meses, coincidindo com o nascimento do primeiro dente decíduo. Preferencialmente, a consulta deve ser realizada com o odontopediatra, pois é ele o profissional habilitado a fazer esse primeiro atendimento.

O que é cárie de mamadeira?

É uma cárie de desenvolvimento rápido (aguda), que provoca dor e dificuldade de alimentação, determinando perda de peso e de estatura. É provocada pela ingestão de líquidos açucarados na mamadeira, principalmente durante a noite, sem que seja feita a higiene bucal posterior.

Meu filho usa mamadeira e tenho medo de que, ao remover o hábito, ele passe a não tomar mais leite. O que devo fazer para que ele continue tomando leite?

Todo processo de remoção de hábitos deve ser lento e gradativo. Antes de remover a mamadeira, é necessário ter certeza de que seu filho sabe e gosta de tomar líquidos no copo. Para isso, primeiramente substitua apenas uma mamadeira pelo copo (geralmente, inicia-se pela mamadeira da tarde). Quando perceber que seu filho está tomando todos os 250 ml anteriormente oferecidos na madeira, no copo, substitua a mamadeira da manhã. No momento em que ele estiver ingerindo 500 ml de leite por dia no copo, a mamadeira da noite deverá substituída. Esse processo pode durar de 2 a 6 meses, dependendo da criança, por isso, o ideal é que ele seja iniciado um pouco antes dos 2 anos de idade. Para facilitar o processo, pode-se usar os copos com tampa, também chamados de copos de transição.

A cárie é uma doença transmissível?

Sim. O Streptococcus mutans, bactéria causadora da cárie, pode ser transmitido da mãe para o filho pelo contato direto. Por isso, não se deve soprar a comida do bebê nem experimentá-la com o talher dele, pois é possível transmitir a ele essas bactérias.

Meu filho está usando chupeta, como faço para acabar com esse hábito?

Para remover a chupeta, deve-se reduzir o seu uso a cada dia. Comece utilizando-a moderadamente, somente quando a criança estiver adormecendo. Quando a criança dormir, lentamente, remova a chupeta da boca e guarde-a. Nunca deixe a chupeta em correntes penduradas no pescoço ou ao alcance da criança. É a mãe que deve administrar as horas de uso, e não a criança. Assim, cada dia ela usará a chupeta um pouco menos até reduzir completamente o seu uso, o que deve ocorrer por volta dos 2 anos de idade.

FONTE: APCD.

Bebês no dentista – verdades e mentiras

Ou seja, ainda durante a gravidez, deve-se prevenir os pais sobre a importância da alimentação e higiene oral, já que as ultimas investigações demonstram que é logo no 1.º ano que hábitos desadequados influenciam a saúde oral da criança, e podem ter repercussões nefastas em adulto. Conselhos pré-natais são essenciais, prevenindo não utilizar biberão para adormecer ou chupetas com mel, por aumentar o risco de cárie, retirar a chupeta após o 1.º ano por risco de «mordida aberta», ou outras dismorfias, como pró-alveolia por sucção do polegar… Suplementos de flúor, actualmente não são preconizados pela Direcção-Geral de Saúde, exceptuando em situa­ções de risco. Todavia, a investigação nacional aponta que só 30% das crianças é que escovam os dentes!

Pode estranhar, mas a primeira consulta ao seu bebê deverá ser dos 6 aos 12 meses, e não aos 4 anos como era referido. Cerca dos 6 meses, nascem os primeiros dentes decíduos ou “dentes de leite” mas, mesmo antes, pais informados saberiam que devem limpar a mucosa gengival com uma gaze humedecida após a alimentação. A 1.ª visita estabelece uma relação amigável e deve ser encarada tal como uma ida à «avó» ou ao «jardim»; algo agradável, lúdico! Mas, atenção, não se deve exagerar a “brincadeira”. Em idades posteriores o bebê, apesar de nos ver como «amigo que cuida dos dentes bonitos», deve ter a noção de autoridade e acatar os procedimentos terapêuticos.

Algumas experiências com profissionais mascarados de figuras «disneynianas», arquitectura interior «circense» ou música ambiente «batatoonesca», podem resultar mal, originando um ambiente de grande excitação, mas cada caso é um caso! Temos de nos adaptar a uma consulta de um bebê com 1 ano, e o médico dentista deve ter preparação adequada e vocação para a Odontopediatria. A Odontopediatria é uma área da Medicina Dentária e Estomatologia que abarca a Saúde Oral dos bebês, crianças e adolescentes, com o objectivo de se obter na idade adulta uma boca saudável, funcional e estética. O bebê não é um “adulto em miniatura”, tem características próprias do foro pediátrico. Não fique preocupado se o seu bebê chorar ou espernear na consulta. É normal, nesta fase de pouco entendimento a criança não cooperar, e o segredo é nunca zangar ou criar receios em relação ao médico ou ambiente.

Apesar dos pais estranharem, ao contrário das outras especialidades, recomenda-se que só devem estar presentes até aos 3 anos, permanecendo na sala de espera dando alguma autonomia à criança. É comum, os pais mostrarem os seus medos e ansiedades fazendo comentários menos próprios como «arrancaram-me um dente!», «O Dr. dá-te uma picada!», «a desvitalização doeu-me tanto!», infelizmente por experiências com profissionais menos competentes! É lógico que decisões terapêuticas importantes, devem ser apresentadas e discutidas com os pais, de preferência na ausência da criança, e nunca aceitar querelas financeiras, por exemplo entre pais divorciados no consultório! Se presentes, os pais só devem falar com a criança quando solicitado pelo médico, e terem atenção às perguntas que fazem. As crianças são atentas, inteligentes e astutas, não deve enganá-las, porque podem perder a confiança. Atenção às chantagens porque passa a negociar com ela! Por vezes os pais estranham serem “ignorados”, e os profissionais centrarem a atenção no «seu bebê», o que é correcto.

Ao contrário do que alguns pais pensam, os “dentes de leite” são para serem tratados e mantidos até à data próxima da esfoliação que pode ir até aos 11 a 12 anos, no sentido de manterem uma correcta mastigação, fonação, de manutenção de espaço, e estética, que influencia o desenvolvimento ósseo, respiração, deglutição e orientação da erupção dos definitivos. Em caso de traumatismo recorra de imediato ao médico dentista e havendo avulsão (queda do dente) ou fractura da coroa, deve transportar a peça dentária em soro fisiológico ou em leite. Numa criança colaborante pode transportar dentro da boca, mas há risco de engolir! Tem de incentivar, brincar e não deixar a higiene oral nas “mãos e cabeça” da criança, porque não é ela que sabe o que é correcto, e além disso não têm destreza, nem habilidade para esses actos.

As rotinas de higiene com escova pediátrica, e de fio dentário devem ser cumpridas, mesmo que ache aborrecido. Os Pais devem escovar desde o 1º dente, e a partir dos 3 anos supervisionar a escovagem, e não se desculpe dizendo: «é preguiçoso!». Há métodos para prevenção da cárie como os selantes, uma espécie de «verniz» aplicado nos sulcos dentários, e mais recentemente está em estudo uma Vacina contra a cárie, descoberta por uma equipa de investigação Portuguesa! Em casos graves, impossibilidade de colaboração, crianças deficientes mentais, existem técnicas de sedação consciente e em último recurso anestesia geral. Mas, atenção: a saúde oral do “vosso bebê” é um trabalho de equipe envolvendo: criança, pais, pediatra, clínico geral, higienista oral e principalmente médico dentista em clínica credenciada!

Flúor, sim ou não?

Existe polémica em relação à administração de flúor sistémico (via oral). A Direcção-Geral de Saúde já não preconiza o uso de flúor sistémico, apenas administrações tópicas em consultório (moldeira). A água abastecida em Portugal contém o flúor necessário, podendo a administração sistémica, originar fluo­rose e intoxicações graves. Pastas dentífricas pediátricas e junio­res têm concentrações de flúor infe­riores à dos adultos. Todavia, supervisione para não haver deglutição em excesso. A quantidade na escova deve ser igual ao tamanho da unha do 5.º dedo da mão, assim, mesmo engolida não será prejudicial.

Higiene odontopediátrica:

Não estranhe, mesmo sem dentes higienize a mucosa gengival do bebê com uma gaze limpa, após as refeições. Massajar a mucosa facilita a erupção dentária, iniciando-se aos 6 meses e termina aos 4 anos. Desde o 1.º dente aos 3 anos, os pais devem escovar, e depois controlar.

Aos 6 anos começam a nascer os dentes definitivos A partir dos 7-8 anos o desenvolvimento psicomotor permite independência na escovagem, mas supervisione!

Cárie rampante e de biberão

Não confunda com hiperpigmentação dentária por fungos e bactérias cromogénicas, que por competição com o Streptococos Mutans, principal responsável pela cárie, paradoxalmente até defendem da cárie! Mas por má aparência estética, a hiperpigmentação pode afectar psicologicamente a criança. A cárie rampante consiste numa destruição generalizada dos dentes temporários, que ficam com os cotos remanescentes negros. Quando ocorre só nos anteriores é associada ao uso de biberão ou chupetas com mel ou açúcar.

Vacina contra a cárie

Uma equipa de investigadores portugueses do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar foi recentemente galardoada pelo estudo e teste com sucesso de uma vacina contra a cárie dentária em ratos, nomeadamente, contra o Streptococos Mutams e Sobrinius. A aplicabilidade humana ainda não está aprovada.

VERDADES E MENTIRAS

Chupetas com cordões são perigosas

Verdade, podem asfixiar a criança.

Escovas de cerdas rijas são melhores

Mentira, podem lesar a mucosa e desgastar o esmalte.

Hiperpigmentação é contagiosa

Verdade, a sua origem é infecciosa.

As escovas da família podem partilhar o copo

Mentira, pois aumenta o risco de contágio por contaminação entre elas.

Refrigerantes aumentam o risco de cárie

Verdade, a acidez, por baixo PH, e açúcar facilitam a desmineralização do esmalte e desagregação da dentina.

Branqueamento externo químico não faz mal

Mentira, manobra publicitária nos adolescentes, nomeadamente, o do tipo com «luzes intensificadoras» e «lasers». Deve-se aguardar a total maturação amelodentinária.

Observação: este texto foi escrito em português de Portugal

Dr. Carlos Adriano
Médico Dentista FMDUL e Médico de Clínica Geral FMUL

Dr.ª Joana Silva Carvalho
Médica Dentista ISCSS

Galeria

APICETOMIA

APICETOMIA

0 que é apicetomia?

É uma cirurgia que tem por finalidade a remoção da lesão que se forma no ápice (ponta da raiz do dente). Existem dois tipos básicos de cirurgia: uma que apenas remove a lesão através de curetagem e outra que, além disso, remove o ápice da raiz.

Por que ocorre essa lesão na ponta da raiz?

Nessa região da raiz, existe um orifício pelo qual passam vasos e nervos que vão nutrir a polpa dentária. Quando a polpa está infectada, a região do ápice também poderá estar infectada e aí se forma um processo inflamatório.

Como isso e resolvido?

Normalmente, apenas a remoção da polpa dentária e a desinfecção do canal (tratamento de canal) são suficientes para promover a cura.

Então, por que é necessário realizar a cirurgia?

Porque nem sempre só com o tratamento consegue-se a eliminação da lesão no ápice da raiz.

Essa lesão causa dor?

Nem sempre. Muitas vezes, ela é assintomática, de desenvolvimento gradual e lento, provocando destruição óssea da região. Na maioria das vezes, apenas com a radiografia essa lesão poderá ser percebida.

Não há outros recursos? Tomar antibióticos resolve?

A prescrição de antibióticos em determinadas circunstâncias é um bom auxiliar; porém, a intervenção cirúrgica é necessária para a cura completa. Através dela, removem-se tecidos contaminados que estão fora do alcance das medicações.

0 problema estará resolvido definitivamente com essa cirurgia?

Dificilmente ocorrerá recidiva do processo. Esse fato é mais freqüente quando apenas se faz a curetagern sem a remoção da ponta da raiz. Aconselha-se controle radiográfico periódico.

0 dente ficará menos resistente a forças mastigatórias?

Não. Ficará menos resistente, certamente, se a lesão progredisse em volta da raiz, por falta de tratamento.

Poderá ser realiza da em qualquer tipo de dente?

0 acesso é mais fácil nos dentes anteriores superiores. Dependendo da anatomia e das condições locais, é possível que essa cirurgia seja realizada em outros dentes.

É uma cirurgia complicada?

Não é uma cirurgia complicada, pois não existe grande manipulação dos tecidos.

0 que se sente nas horas seguintes à cirurgia?

Normalmente, o pós-operatório é indolor ou provoca um desconforto mínimo, o que se resolve com analgésicos.

FONTE: APCD

DICIONÁRIO DOS TERMOS MAIS USADOS PELOS DENTISTAS

Dicionário de termos Odontológicos mais freqüentes.

Cirurgia (Extrações e outras cirurgias orais de menor porte). Entre os procedimentos cirúrgicos:

Alveoloplastia: Intervenção cirúrgica para dar forma ao rebordo ósseo e prepará-lo para o suporte ósseo.

Apicectomia: Remoção de uma parte da raiz que apresente lesão que não pode ser curada por tratamento de canal. Em alguns casos é necessário fazer uma obturação do ápice do dente.

Exodontia simples de dente decíduo (de leite) e permanente: Extração de dentes que erupcionaram normalmente.

Exodontia de dente incluso ou impactado (remoção de dentes retidos): Dente que se encontra aprisionado no interior do tecido ósseo dos maxilares, e por algum motivo não erupcionou.

Exodontia de dente semi-incluso: Extração de dente que não erupcionou totalmente e possui alguma parte ainda alojada no tecido ósseo.

Exodontia de Raiz Residual: Retirada de restos de raízes presas dentro do tecido ósseo ou presos à gengiva.

Frenectomia: Remoção de inserções musculares que possam estar atrapalhando o posicionamento de dentes ou confecções de próteses só que diretamente relacionadas ao músculo que faz as inserções labiais ou linguais.

Reconstrução do sulco gengivo-vestibular: Cirurgia realizada para aumentar a altura do bordo ósseo.

Clínica geral: Tratamentos de cirurgia, radiologia, endodontia, dentística restauradora, periodontia.

Dentística: Obturações e restaurações em dentes.

Procedimentos da Dentística:

Restauração em Amálgama: Recomposição de forma e função do dente. É recomendado para dentes posteriores. Realizado com a utilização de um composto de limalha de prata, cobre e mercúrio.

Restauração em resina auto e fotopolimerizável: Consiste na recomposição da forma e da função do dente com material da mesma cor, permitindo uma restauração estética em dentes anteriores. Para isso, é utilizado um composto a base de quartzo ou endurecida sob ação de luz.

Diagnóstico: Exame bucal e elaboração do plano de tratamento.

Endodontia: Tratamento de canais.

Para entender os procedimentos em Endodontia:

Pulpotomia: Remoção de parte da polpa (nervos e vasos sangüíneos) dos dentes de leite e permanentes. Nos dentes permanentes, o procedimento é realizado quando ainda não houve formação de toda a raiz.

Tratamento de canal de dentes permanentes unirradiculares (de uma raiz), birradiculares (com duas raízes) e multirradiculares (três ou mais raízes): Remoção do tecido da polpa (nervos e vasos sangüíneos) do interior do dente (coroa e raízes), limpeza e preenchimento com material de obturação.

Tratamento pulpar em dente permanente e pulpectomia: remoção de toda a polpa do dente (artérias, veias e nervos).

Periodontia: Tratamento de gengivas e tecidos de suporte.

Para entender os procedimentos em Periodontia:

Gengivite com ou sem sangramento: Raspagem e higienização da placa bacteriana que se forma em torno do dente, provocando ou não, sangramento.

Raspagem/polimento coronário e radicular: Remoção de placas bacterianas e polimento de dentes e restaurações.

Radiologia: Realização de radiografias.

Procedimentos de Radiologia:

RX bite-wing: Usado para pesquisa da cárie e da articulação dos dentes superiores com os inferiores, por região.

RX periapical: Usado para pesquisa de focos dentários. É realizado um, para cada elemento dentário, quantas vezes forem necessárias.

RX Panorâmico: Usado para se ter uma visão geral do complexo da boca e a interligação com suas estruturas adjacentes, tais como seios maxilares, cavidades nasais e as suas possíveis implicações.

RX de ATM: Utilizada para se ter uma avaliação do Articulação têmporo mandibular ( articulação da mandíbula com o resto do crânio) e seus possíveis problemas.

Documentação Ortodôntica: Conjunto de exames composto por radiografias, fotos e análises das estruturas ósseas do individuo que oferece informações ao profissional para determinar o melhor tratamento ortodôntico a ser efetuado, normalmente é realizado em clinicas especializadas.

Próteses: São dentes confeccionados em laboratório para substituir dentes perdidos

Coroa: Substitui a coroa do dente , que á a parte visível do mesmo, pode ser confeccionada em diversos materiais.

Núcleo: Quando ocorrem perdas muito acentuadas de estrutura dental existe, por vezes, a necessidade de criação de uma estrutura de fixação para a coroa. O núcleo cumpre a função de preenchimento no dente e será fixado comumente no conduto radicular (canal) após tratamento endodôntico.

Prótese total: Mais conhecida como dentadura, substitui de forma artificial a dentição perdida do paciente

Prótese parcial removível (PPR): Substitui de forma artificial a dentição perdida do paciente, quando o mesmo ainda possui alguns dentes em sua boca. normalmente é sustentada por grampos de metal discretos.

Procedimentos Preventivos:

Aplicação de selante e profilaxia: Material usado na face da mastigação dos dentes permanentes de crianças até 14 anos a retirada da placa bacteriana, para prevenir o aparecimento da cárie.

Aplicação tópica de flúor: Aplicação de flúor nas superfícies do dente, para tornar o esmalte mais resistente à cárie.

Seu Sorriso pode conquistar tudo.